
O Novo Médico
As redes sociais mudaram completamente nossa sociedade. No momento atual, é inconcebível que uma empresa ou um profissional liberal não esteja presente, de alguma maneira, nas plataformas digitais. Isso trouxe desafios e oportunidades.
Nas redes sociais, pessoas seguem pessoas. Para um profissional que almeja engajamento, é imprescindível que este apareça em sua pessoalidade. Desde o Iluminismo, o médico foi colocado como um cientista cético, cuja única obrigação seria encaixar o paciente em algum estudo da medicina baseada em evidências. Dessa forma, muitos de nós tendíamos a nos comportar de maneira imparcial e impessoal.
O médico moderno, para ter sucesso, necessita de um bom nível técnico. Afinal, com a proliferação das faculdades de medicina, não há mais exclusividade no mercado — a concorrência, em todas as áreas, é elevada. Mas é preciso também saber apresentar-se e mostrar seu verdadeiro eu.
Juntamente com a capacidade técnica de resolver problemas de saúde, os pacientes procuram médicos que compartilham valores com os seus. Essa é uma casca de banana para os médicos que gostavam de ser vistos como técnicos imparciais.
Nessa identificação de valores, têm tido vantagem os médicos que cultivam sua própria saúde e estética, pois esses são valores comuns às pessoas. Além disso, cada vez mais médicos têm revelado sua religiosidade, chegando ao ponto de muitos já se identificarem como “médico católico” logo na descrição inicial de seu Instagram.
A medicina continua sendo tecnicamente desafiadora, como sempre foi. E agora temos um desafio adicional: trabalhar nossas redes sociais. Mas vejo isso também como algo positivo, uma vez que pode forçar alguns colegas a se tornarem, de fato, seres humanos filosoficamente mais completos.
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