
O Fim da residência médica
O modelo tradicional de residência médica está sobre um barril de pólvora. Por um lado, há pressão governamental pelo aumento do número de vagas, buscando uma melhor proporção entre médicos formados e residentes. Por outro, não há investimento em saúde suficiente para sustentar a expansão do número de hospitais e da estrutura necessária para esse crescimento.
Outro ponto crítico é que o modelo brasileiro de residência sempre se baseou predominantemente na assistência. A maior parte dos hospitais que contam com residentes apresenta baixo nível de academicismo, com poucas atividades teóricas. Ainda assim, historicamente havia aprendizado relevante graças ao alto volume de atendimentos e aos recursos disponíveis no SUS.
Desde 2014, porém, os investimentos no SUS já não são suficientes. Observa-se, em todo o país, uma queda na qualidade de materiais, insumos e também na disponibilidade de equipes médicas. Esse cenário compromete diretamente o modelo tradicional de formação, baseado na prática assistencial intensiva.
O fato é que existe, simultaneamente, a necessidade de ampliar o número de residentes e a limitação estrutural para sustentar essa expansão dentro do modelo atual. Trata-se de uma tensão relevante.
Diante disso, é provável que surjam, cada vez mais, modelos alternativos de formação, especialmente no setor privado. Neles, o residente acompanha médicos mais experientes, treina em modelos cadavéricos, participa de cursos específicos e se desenvolve com maior carga acadêmica e menor dependência da assistência.
Os próximos anos serão decisivos para o futuro da residência médica no país.
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