Dra Sara Joca explica o diagnostico e tratamento da hidradenite supurativa

Hidradenite Supurativa: A doença que muitos chamam de “Furúnculo” e que pode levar anos para ser diagnosticada.

Você conhece alguém que vive com “furúnculos” recorrentes nas axilas, virilhas ou abaixo das mamas? Ou talvez já tenha passado por episódios repetidos de nódulos dolorosos, drenagem de secreção e idas frequentes ao pronto-socorro para tratar inflamações que sempre acabam voltando. Em muitos desses casos, o problema pode não ser um simples furúnculo, mas sim uma doença inflamatória crônica chamada hidradenite supurativa.

 

Estima-se que a hidradenite supurativa acometa cerca de 1% da população, embora muitos casos permaneçam sem diagnóstico. A doença é mais frequente em mulheres e costuma surgir entre a adolescência e o início da vida adulta, justamente em uma fase de intensa atividade profissional, social e afetiva. Apesar de relativamente comum, ela ainda é pouco reconhecida, o que contribui para um atraso no seu diagnóstico.

 

Muito além de um “furúnculo”

Apesar de frequentemente ser confundida com infecções de pele, a hidradenite supurativa não decorre de falta de higiene e não é uma doença contagiosa. Trata-se de uma doença inflamatória que se desenvolve ao redor dos folículos pilosos, principalmente em áreas sujeitas ao atrito e à umidade, como axilas, virilhas, região glútea e abaixo das mamas.

 

Os sintomas geralmente começam com nódulos dolorosos e profundos que podem aumentar de tamanho e evoluir para abscessos. Com o tempo, essas lesões podem drenar secreção, deixar cicatrizes permanentes e formar trajetos sob a pele, conhecidos como fístulas.

 

Como as lesões frequentemente se parecem com furúnculos, muitos pacientes recebem tratamentos repetidos com antibióticos ou são submetidos a drenagens de urgência sem que a causa real seja identificada. O resultado é um ciclo de crises recorrentes, dor, desconforto e frustração.

 

Quando devemos suspeitar?

Alguns sinais merecem atenção especial:

  • Nódulos dolorosos que surgem repetidamente nas axilas, virilhas, região íntima, glúteos ou abaixo das mamas;
  • Abscessos recorrentes com saída de secreção;
  • Lesões que reaparecem sempre no mesmo local;
  • Cicatrizes endurecidas ou retraídas;
  • Presença de pequenos orifícios ou “túneis” na pele.

 

Quando esses episódios se repetem ao longo dos meses, especialmente nas mesmas regiões do corpo, é importante procurar avaliação dermatológica.

 

O papel do estilo de vida

Embora a hidradenite supurativa tenha uma base inflamatória e genética complexa, alguns fatores estão frequentemente associados ao agravamento da doença.

O excesso de peso aumenta o atrito entre as dobras da pele e favorece a inflamação local. O sedentarismo pode contribuir para o ganho ponderal e para alterações metabólicas associadas à doença. Além disso, muitos pacientes relatam piora dos sintomas em períodos de estresse emocional intenso. O tabagismo também é considerado um dos principais fatores relacionados à maior gravidade da hidradenite.

 

Esses fatores não são a causa isolada da doença, mas podem influenciar diretamente sua evolução e a frequência das crises.

 

O que os olhos não veem: o “efeito iceberg” da hidradenite

Um dos maiores desafios da hidradenite supurativa é que a extensão real da doença nem sempre é visível na superfície da pele.

 

Muitas vezes, um pequeno nódulo observado durante o exame clínico corresponde apenas à ponta do problema. Abaixo da pele podem existir extensas áreas de inflamação, coleções, trajetos fistulosos e lesões interconectadas que permanecem ocultas.

 

Esse fenômeno é frequentemente comparado a um iceberg: a parte visível representa apenas uma fração da doença.

 

Por esse motivo, avaliar somente a aparência externa das lesões pode levar à subestimação da gravidade do quadro e à escolha de tratamentos insuficientes.

 

Como a ultrassonaografia dermatológica mudou o manejo da doença

Nos últimos anos, a ultrassonografia dermatológica de alta frequência tornou-se uma ferramenta fundamental na avaliação da hidradenite supurativa.

 

De forma indolor, sem radiação e realizada em consultório, ela permite visualizar estruturas que não podem ser identificadas apenas pela inspeção ou pela palpação.

 

O exame possibilita mapear toda a extensão da doença sob a pele, identificando nódulos inflamatórios, coleções e trajetos fistulosos ocultos. Em muitos pacientes, a ultrassonografia revela um acometimento significativamente maior do que o inicialmente suspeitado.

 

Além disso, o uso do Doppler permite avaliar a atividade inflamatória das lesões. Essa informação auxilia o médico na escolha do tratamento mais adequado e na decisão sobre a necessidade de terapias sistêmicas, incluindo medicamentos imunobiológicos.

 

A ultrassonografia também desempenha papel importante no planejamento cirúrgico. Ao delimitar com precisão a extensão das lesões, contribui para procedimentos mais completos e reduz o risco de recorrência.

 

Outra vantagem é a possibilidade de monitorar a resposta ao tratamento. Frequentemente, a melhora inflamatória ocorre antes mesmo das alterações visíveis na pele, permitindo uma avaliação mais objetiva da eficácia terapêutica.

 

Diagnóstico precoce significa menos sofrimento

A hidradenite supurativa pode ter impacto profundo na qualidade de vida, afetando relacionamentos, autoestima, atividades profissionais e saúde mental. Dor crônica, drenagem de secreção, limitações físicas e constrangimento social fazem parte da rotina de muitos pacientes que convivem com a doença sem diagnóstico.

 

A boa notícia é que o reconhecimento precoce permite iniciar tratamentos mais adequados, controlar a inflamação e reduzir o aparecimento de cicatrizes e complicações permanentes.

 

Se lesões semelhantes a furúnculos surgem repetidamente nas mesmas regiões do corpo, vale lembrar: isso não é normal. Buscar avaliação especializada pode ser o primeiro passo para interromper anos de sofrimento e iniciar um tratamento direcionado, cada vez mais preciso graças aos avanços da dermatologia e da ultrassonografia dermatológica.

 

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Dra Sara Joca explica o diagnostico e tratamento da hidradenite supurativa
Dra. Sara Joca – CRM: 16136 / RQE 11838 Médica Radiologista Titular do Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR / MEC) Mestra em Ciências Médicas (Unifor) Ultrassonografia Dermatológica, Reumatológica e para Cirurgias Plásticas. Atua com ultrassonografia de alta frequência aplicada às doenças da pele, partes moles e articulações, além da avaliação de procedimentos estéticos e cirúrgicos, complicações e mapeamento de preenchedores. Whatsapp: (85) 9 9226-0983 / drasarajoca@gmail.com @drasarajoca

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