
A Eleição, a Crise e os Médicos
Vivemos um período de grande incerteza. À medida que o país se aproxima de mais uma eleição presidencial, cresce a polarização política e aumentam as dúvidas sobre o futuro econômico do Brasil. Na minha avaliação, as chances de mudança no comando do governo são reduzidas. Se essa leitura estiver correta, a reeleição do presidente Lula seria o cenário mais provável. Independentemente do resultado das urnas, porém, acredito que o verdadeiro desafio estará na economia.
O crescimento do endividamento público, a elevada carga de juros e os persistentes desequilíbrios fiscais indicam um cenário que merece cautela. Ainda que existam diferentes interpretações sobre a intensidade e o momento de uma eventual desaceleração econômica, considero prudente que médicos e empreendedores da área da saúde se preparem para um período de maior restrição.
O que fazer diante desse cenário?
Em primeiro lugar, rezar pelo Brasil. Independentemente das convicções políticas de cada um, nosso país precisa de estabilidade, responsabilidade e prosperidade. A oração não substitui a ação, mas nos recorda de que nem tudo está sob nosso controle.
Em segundo lugar, acredito que a verticalização será uma das principais estratégias de proteção para os próximos anos. Em diversos setores da economia, empresas têm buscado controlar uma parcela cada vez maior da cadeia de valor, reduzindo dependências externas e aumentando sua eficiência.
Na medicina, isso pode significar diferentes iniciativas: desenvolver estruturas próprias para realização de procedimentos, reduzir a terceirização de etapas essenciais do atendimento, formar equipes permanentes e buscar maior autonomia operacional. Sempre que possível, substituir custos recorrentes por ativos próprios tende a fortalecer o negócio no longo prazo. Da mesma forma, modelos próprios de financiamento aos pacientes podem, em determinadas situações, reduzir a dependência de intermediários financeiros, desde que implementados com adequada análise de risco e respeito às normas aplicáveis.
Outro princípio importante é evitar o endividamento desnecessário. Em ambientes de juros elevados, dívidas deixam de ser ferramentas de crescimento e passam a representar um risco significativo. Liquidez e capacidade de adaptação costumam valer mais do que expansão acelerada.
Também é importante reconhecer que períodos de crise raramente afetam todos os segmentos da mesma forma. Em muitos momentos, produtos e serviços voltados ao público de maior renda demonstram maior resiliência, pois essa parcela da população tende a preservar sua capacidade de consumo. Médicos que conseguem atender esse segmento podem encontrar maior proteção diante das oscilações econômicas.
Por outro lado, aqueles cuja atuação está voltada para mercados mais sensíveis ao ciclo econômico podem compensar essa vulnerabilidade mantendo uma estrutura enxuta. Custos pessoais controlados, despesas operacionais reduzidas e disciplina financeira aumentam significativamente a capacidade de atravessar períodos difíceis.
A história ensina que nenhuma crise é permanente. O Brasil já enfrentou inúmeros momentos de instabilidade e conseguiu superá-los. Tenho esperança de que dias melhores virão. Até lá, cabe a nós agir com prudência, fortalecer nossas famílias, cuidar dos nossos pacientes e administrar nossos consultórios com sabedoria.
As tempestades passam. O importante é que, quando elas terminarem, continuemos de pé.
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