
Complicações estéticas: por que elas estão aumentando e como o ultrassom ajuda no diagnóstico
A medicina estética vive um momento de grande expansão. Procedimentos como preenchimentos faciais, bioestimuladores de colágeno e fios de sustentação ganharam espaço nas clínicas nos últimos anos, impulsionados pela crescente busca por harmonização facial e rejuvenescimento por meio de técnicas menos invasivas. Com resultados rápidos e tempo de recuperação reduzido, esses tratamentos passaram a fazer parte da rotina de muitos pacientes. Mas, junto com essa popularização, cresce também o número de pessoas que procuram avaliação médica por intercorrências após esses procedimentos.
É importante destacar que a presença de uma complicação nem sempre significa que houve erro na realização do procedimento. De acordo com a médica radiologista Dra. Sara Joca, com pós-graduação em ultrassonografia dermatológica, cada organismo reage de forma diferente aos preenchedores, fios e bioestimuladores, o que explica por que algumas complicações podem surgir mesmo quando o procedimento é realizado corretamente. Fatores individuais, como características imunológicas e inflamatórias, podem influenciar diretamente na forma como o organismo responde aos materiais utilizados.
Entre as complicações mais comuns estão alterações consideradas leves, mas que podem causar preocupação estética e desconforto ao paciente. Nódulos no local da aplicação, irregularidades no contorno e acúmulo de produto em determinadas regiões são algumas das queixas frequentes.
Outro quadro relativamente conhecido é o edema tardio intermitente persistente, o chamado ETIP, caracterizado por episódios recorrentes de inchaço que podem surgir semanas, meses ou até anos após o procedimento. Também pode ocorrer o chamado overfilling, quando há excesso de produto aplicado, comprometendo a naturalidade do resultado — situação frequentemente observada na região das olheiras.
Apesar de muitas dessas alterações serem manejáveis, existem complicações que exigem reconhecimento imediato. A mais temida é a oclusão vascular associada aos preenchedores. Nesse cenário, o material injetado pode comprometer o fluxo sanguíneo de um vaso, provocando dor intensa e alterações na coloração da pele. Quando não identificada rapidamente, essa condição pode evoluir para necrose do tecido. Em situações raras, complicações ainda mais graves podem ocorrer, como perda visual, acidente vascular cerebral e outras consequências sistêmicas.
Outros quadros também têm sido descritos com maior frequência. Entre eles estão infecções por micobactérias não tuberculosas, geralmente relacionadas à contaminação durante o procedimento. Esses casos podem ser particularmente desafiadores, pois muitas vezes se manifestam como infecções aparentemente comuns que não respondem aos antibióticos habituais, atrasando o diagnóstico correto. Há ainda relatos de complicações sistêmicas associadas a materiais permanentes, como o PMMA, especialmente quando utilizados em grandes volumes em determinadas regiões do corpo.
Diante desse cenário, a ultrassonografia dermatológica de alta frequência tem se consolidado como uma ferramenta fundamental para esclarecer o que está acontecendo sob a pele. O exame permite visualizar, em tempo real, os planos anatômicos, identificar onde o produto foi depositado e reconhecer sinais de inflamação, coleções ou comprometimento vascular.
“O ultrassom funciona como um verdadeiro mapa da região tratada. Ele permite entender exatamente qual é a origem da complicação e orientar a melhor forma de tratamento”, explica a Dra. Sara Joca.
Além de contribuir para o diagnóstico, a tecnologia também pode auxiliar no tratamento, permitindo procedimentos guiados com maior precisão e segurança. Para pacientes e profissionais, a mensagem é clara: procedimentos estéticos devem sempre ser realizados por profissionais qualificados e em ambientes preparados para lidar com eventuais complicações.
A maioria das complicações tem solução quando identificada precocemente. Nesse contexto, o conhecimento anatômico, a experiência profissional e o apoio de tecnologias diagnósticas tornam-se aliados fundamentais para trazer mais segurança aos pacientes e melhores resultados na prática clínica.
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