Em poucos segundos, o exame que pode mudar o curso da prevenção cardiovascular
As doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de morte no mundo e no Brasil. Mais de 350 mil brasileiros morrem todos os anos por infarto e acidente vascular cerebral, situações que, em grande parte, poderiam ser evitadas com diagnóstico precoce e intervenções adequadas no estilo de vida.
Nesse cenário, a prevenção se tornou uma ferramenta poderosa da cardiologia. E entre muitos os exames disponíveis, o Escore de Cálcio Coronariano (ECC) é um método capaz de revelar, de forma objetiva e quantificável, o risco de um paciente sofrer um evento cardíaco nos próximos anos.
O ECC é uma tomografia computadorizada de tórax sem contraste, de baixa radiação, cuja aquisição dura apenas alguns segundos. Em menos tempo do que uma respiração profunda, é possível visualizar e medir a quantidade de cálcio depositado nas artérias coronárias, o principal marcador da aterosclerose subclínica, ou seja, a doença que se instala silenciosamente antes de qualquer sintoma.
O resultado é expresso pelo Escore de Agatston, que traduz o risco em números claros e facilmente interpretáveis:
- 0: ausência de calcificação e risco extremamente baixos de eventos cardiovasculares;
- 1 a 99: calcificação discreta, risco leve a moderado;
- 100 a 399: risco aumentado;
- ≥ 400: risco alto, indicando necessidade de reavaliação completa da estratégia terapêutica.
A força do exame está em sua capacidade de mudar condutas. Um escore elevado pode justificar o início ou intensificação de terapias como estatinas, controle mais rigoroso da pressão arterial e intervenções mais assertivas no estilo de vida. Ao mesmo tempo, um escore zero pode evitar o uso desnecessário de medicamentos em pacientes realmente de baixo risco.
As principais indicações incluem indivíduos assintomáticos com risco cardiovascular intermediário, histórico familiar precoce de infarto, síndrome metabólica, diabetes ou colesterol limítrofe, quando há dúvida sobre a necessidade de iniciar tratamento farmacológico preventivo.
Por outro lado, o exame não é indicado em pacientes com doença coronariana já diagnosticada, stents ou cirurgia prévia de revascularização, pois a presença de artefatos pode prejudicar a interpretação. Também não substitui a avaliação clínica nem os outros exames.
Mais do que um número, o Escore de Cálcio oferece clareza e engajamento, tanto para o médico quanto para o paciente. É um exame que tangibiliza o risco, melhora a adesão ao tratamento e permite personalizar a prevenção com base em evidência. Em poucos segundos, ela oferece uma informação que pode mudar o manejo de um paciente e possivelmente salvar uma vida.