Por que o rastreamento do câncer de pulmão pode salvar vidas?
O câncer de pulmão é uma das doenças que mais causam mortes no Brasil e no mundo. Uma das principais razões para esse número tão alto é o fato de que, muitas vezes, o diagnóstico acontece tardiamente, quando o tumor já está avançado e as chances de cura ficam menores. Ou seja, perde-se a janela de oportunidade de abordar a doença em sua fase inicial quando a cura é possível.
Nos últimos anos, entretanto, estudos de grande importância mostraram que existe uma maneira eficaz de mudar essa realidade: o rastreamento com tomografia computadorizada de baixa dose, um exame de imagem simples, que permite detectar nódulos e alterações nos pulmões em fases iniciais, mesmo antes de surgirem sintomas.
Quem deve fazer o rastreamento?
O exame não é indicado para todas as pessoas, mas sim para aquelas que apresentam maior risco de desenvolver a doença. Em geral, os grupos prioritários incluem:
– Homens e mulheres com idade entre 50 e 80 anos;
– Pessoas que fumam ou que pararam de fumar nos últimos 15 anos;
– Indivíduos que fumaram por muitos anos, mesmo que já tenham reduzido o hábito.
Nesses casos, o rastreamento anual pode reduzir de forma significativa as mortes causadas pelo câncer de pulmão, permitindo que muitos pacientes tenham acesso a cirurgias ou tratamentos menos invasivos e com maiores chances de sucesso.
Por que ainda é pouco realizado?
Apesar dos benefícios comprovados, muitas pessoas que poderiam se beneficiar desse exame ainda não o realizam. Entre os motivos, estão:
– Falta de informação sobre o rastreamento, incluindo entre médicos não especialistas;
– A ideia equivocada de que apenas quem apresenta sintomas precisa se preocupar;
– Medo do resultado ou estigma associado ao tabagismo;
– Dificuldades de acesso a serviços especializados.
Conscientização é essencial
Informar a população sobre a importância do rastreamento é um passo fundamental. Assim como campanhas de prevenção do câncer de mama e do câncer de colo de útero ganharam espaço e salvaram vidas, o mesmo precisa acontecer em relação ao câncer de pulmão.
A detecção precoce pode fazer a diferença entre um tratamento simples e curativo ou uma doença avançada, de controle mais difícil. É uma oportunidade de oferecer mais qualidade de vida e esperança a milhares de pessoas em todo o país.
Então, se você se encaixa no perfil de pacientes que se beneficiam do rastreamento ou conhece alguém que faz parte desse grupo, não adie a chance de detecção precoce de uma doença grave, mas que tem grandes chances de cura. Rastrear salva vidas!
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Dr. Adalberto Vieira Dias Filho, cirurgião torácico atuante em hospital terciário, com experiência em broncoscopia diagnóstica e terapêutica, trauma torácico e cuidados ao paciente crítico, além de oncologia torácica. Foco em segurança do paciente, comunicação clara com equipes multidisciplinares e atualização baseada em diretrizes.